Depressão. O mal do século?

depressão

Tenho certeza de que você conhece alguém que passou ou ainda passa pela depressão. Na maioria das vezes você não sabe como lidar e o que falar. Você fica inseguro ao aconselhar, pois sabe bem pouco sobre o assunto? Aqui você terá respostas, dicas, caminhos e orientação.

Pensar positivo funciona na depressão?

Quando você vê alguém com braço imobilizado ou mesmo sentindo dores em alguma parte do corpo rapidamente você se identifica, visto que você está vendo materializado o mal estar que essa pessoa está sentindo.

A depressão não é visível. Você só nota claramente caso a pessoa fique na cama ou parta para algo pior. Até bem pouco tempo a depressão somente poderia ser identificada no consultório médico, através do histórico do paciente, mas hoje os médicos já contam com exames laboratoriais e também exames de imagem ultra modernos que podem ser usados quando há necessidade de embasamento ou confirmação. Muitos desses exames de imagem ainda não são acessíveis para a população, mas a mente humana e o cérebro têm recebido cada vez mais atenção e investimento, deixando claro que depressão não é coisa “da cabeça” de um ou de outro. É claro, ainda são os especialistas que diagnosticam e sempre serão. Eles certamente nunca tiveram dúvidas quanto ao prognóstico ou tratamento proposto, mas com fundamentação científica  a conscientização fica mais fácil e palpável.

Existe um apelo para o pense positivo, por isso vamos deixar as coisas claras. A depressão passa por fatores patológicos, fisiológicos e psicológicos, considerando que algumas vezes os fatores desencadeadores são internos (saúde/organismo) e outros são externos. A depressão, doença identificada através no CID 10-F33, impossibilita que a pessoa consiga pensar positivo, de forma comum, como os demais. Se conseguisse não estaria doente, não é?

Como a depressão mostra o mundo

Pense em uma foto borrada, mal batida ou velha. A imagem está lá, mas você não consegue ver com perfeição. Assim é o deprimido: sabe que precisa se levantar, conversar, movimentar, mas não consegue. É bem diferente de sentir preguiça, quando temos a opção de fazer ou não e escolhemos a segunda por falta de vontade momentânea. Para melhor contextualizar, vou te dar outro exemplo: Por algum motivo você ficou sem se alimentar por vários dias, também não ingeriu água e seu corpo está sofrendo. Você quer se levantar para buscar alimento, mas seu corpo fraco, sem energia, não consegue. Passam-se vários dias e você morre de fome. Morre sabendo que deveria ter se levantado para buscar algum alimento, mas acabou morrendo. O fato de saber que precisava comer te salvou? Saber fez você conseguir mover suas pernas e levantar seu corpo? Não.

Em casos de depressão aguda a pessoa não se levanta, não conversa e não ingere alimento, muitas vezes sendo necessário o cuidado de uma internação para manutenção da vida. A pessoa tem consciência que nada lhe falta, mas sente que não há razão em fazer o que antes dava prazer. Liga o piloto automático e assim deixa a vida passar, piorando o quadro com o sentimento de culpa por sentir algo que racionalmente não deveria sentir.

Vale lembrar que a depressão não se instala de forma aguda tão rapidamente. Nos cabe prestar atenção aos sinais que nosso corpo dá e aos avisos que recebemos da nossa mente. Fiquemos atentos aos familiares e amigos a fim de oferecer o apoio necessário.

Você sabe que nosso cérebro se alimenta?

Nosso cérebro também se alimenta. Se ele está com fome de algo, ele também morre. O desequilíbrio químico de noradrenalina e serotonina pode te deixar em depressão. Veja:

A noradrenalina e a serotonina são neurotransmissores e funcionam como combustíveis para o cérebro realizar determinadas funções. Existem vários neurotransmissores e também outras substâncias que agem como neurotransmissores, por exemplo os aminoácidos e peptídeos.

Os neurotransmissores clássicos são: acetilcolina, as catecolaminas (dopamina, adrenalina e noradrenalina) e a serotonina. Os aminoácidos podem ser excitatórios, como glutamato, ou os que fazem o contrário, os inibitórios, como o GABA (ácido gama amino butírico). É ideal que ocorra um equilíbrio entre os aminoácidos, para que haja um correto grau de excitabilidade, de disparo dos neurônios, para não disparar demais nem de menos.

A serotonina tem sido sinônimo de felicidade. De fato implica em depressão e felicidade, ansiedade e tranquilidade e em outras áreas do comportamento, como agressividade, raiva, irritabilidade. Participa também de outras funções importantes, como apetite, controle de temperatura, sono, náusea e vômitos, sexualidade e, é claro, muito importante no sistema de dor.

A Noradrenalina age no cérebro e regula atividades como o sono e emoções. Em grandes quantidades, proporciona sensação de bem-estar. Enquanto em pequenas quantidades relaciona-se com o surgimento de sintomas da depressão. Associa-se também com processos cognitivos de aprendizagem, criatividade e memória, mantém o corpo em alerta e atenção durante o dia e durante o sono os seus níveis diminuem.

Nosso cérebro é repleto de neurônios. Eles são responsáveis por tudo que nosso corpo faz. A comunicação entre eles, chamada Sinapse e se faz através dos neurotransmissores, principalmente os citados acima. Quando os neurotransmissores não estão equilibrados as sinapses não acontecem como deveriam, o que confirma que realmente não dá simplesmente para falar para a pessoa pensar positivo, levantar e agir. Ela não tem no momento, em perfeito funcionamento, os sinais elétricos que proporcionam a comunicação entre os neurônios. Em outras palavras: falta o alimento e o combustível para o cérebro trabalhar adequadamente e o cérebro comanda o corpo.

Somente o médico é capaz de identificar esse desequilíbrio, medicando adequadamente se necessário. As sessões de terapia são extremamente salutares te levando a curar a causa. Podem ser indicadas pelo especialista para que o tratamento seja realizado de forma multidisciplinar.

São sintomas principais da depressão:

  • Alteração de peso (perda ou ganho de peso não intencional);
  • Distúrbio de sono
  • Problemas psicomotores (agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias);
  • Fadiga ou falta de energia constante;
  • Culpa excessiva (sentimento permanente de culpa e inutilidade);
  • Dificuldade de concentração
  • Ideias suicidas
  • Baixa autoestima,
  • Alteração da libido.

Ainda há muito preconceito com as pessoas em depressão, muitas vezes nota-se dentro do próprio ambiente familiar, dificultando a busca no tratamento. Normalmente quem primeiramente percebe a mudança de comportamento é o parceiro ou os pais. A apatia, proveniente da falta de esperança costuma ser um dos primeiros sintomas, seguido por qualquer um dos outros.

Hoje existe uma coleção de tratamentos para a depressão. Os que trabalham o espírito, a fé, o organismo e a mente. Tenha esse cuidado com você e com quem você ama. Procure ajuda adequada e reconhecida: evite tratamentos experimentais. É a sua vida!

Tipos  mais comuns de depressão:

  • Episódio depressivo
  • Transtorno depressivo maior
  • Depressão bipolar
  • Distimia
  • Depressão atípica
  • Depressão sazonal
  • Depressão pós-parto
  • Depressão psicótica

Cada uma dessas tem suas características, que serão abordadas com profundidade  em outro artigo.

O assunto é muito amplo e como a intenção é ajudar, certamente abordaremos com frequência.

Ouça o Podcast sobre depressão

Rose RAS

Pedagoga/Orientadora

Deixe uma resposta