Deixar ir ou ressignificar

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@flaviatironiescritora

Artigo 4

Coisas, pessoas, oportunidades. Não raramente muitos se vêem diante de situações em que se faz necessário abrir mão de algumas delas ou apenas dar um novo significado.

O último artigo que escrevi aqui no RAS falou um pouco de como as relações interpessoais são importantes para o indivíduo, tornando-se às vezes tóxicas ou sem aquele mesmo sentido inicial. Isso se deve ao fato de que nada na vida ė imutável e muito menos as pessoas.

Imagem: Pixabay

Seguindo o baile

A Internacionalista Sabrina Hama (21) acredita que, ideias, sonhos e circunstâncias também mudam e com eles devemos nos adaptar, afinal é o que os seres vivos têm feito ao longo de suas vidas. Ela afirma ainda que o passado nos molda, mas não nos define e que por vezes precisamos deixar certas coisas do passado irem para nos acertarmos no presente. Isso não significa dizer adeus à tudo, apenas às coisas ruins, que não nos fazem bem, pois as coisas boas ficam com a gente, em nosso ser.

Dentro desse contexto deixar ir parece tarefa fácil e com mais ganhos positivos que o contrário. Então por que simplesmente não fazê-la e “seguir o baile”?

Quando criamos vínculo atribuímos valor a algo ou alguém e essa afinidade tanto pode ser imediata, quanto levar anos até ser consolidada. No entanto, pode ser que aquela “roupa” tão especial tenha começado a ficar apertada e apesar de seus esforços para voltar ao que era, custe o que custar,  ela mais causa incômodo agora que te deixa confortável.

Metáforas a parte, assim são algumas pessoas. Aquela sensação de ficar à vontade na companhia delas de repente dá lugar à um deslocamento sem explicação e já não cabe mais tentar dissuadi-lo.

Ressignificar

Para a Designer Gráfica, Marina Oliveira (37) deixar ir é tão saudável, quanto necessário, pois acredita que algumas pessoas vem com algum propósito ou um ensinamento, enquanto outras com “data de validade”. Cabe a nós perceber se uma amizade ou um relacionamento não está funcionando mais e deixar ir pode evitar sofrimento para ambas as partes. 

Todavia, deixar ir nem sempre quer dizer abrir mão de um modo radical e definitivo, mas uma questão de ressignificar.

O ambiente de trabalho tornou-se enfadonho e improdutivo? Avaliar a possibilidade de uma mudança de setor ou mesmo a troca de horários talvez seja uma boa solução, ainda que paliativa. Aquela amizade das antigas já não soma tanto quanto antes e toda conversa só acaba em insatisfação? Converse um pouco menos, dê espaço para sentir e fazer falta ou mesmo para se permitir conhecer gente nova.

Como quase tudo na vida a diferença está justamente na decisão que não é tomada, adiada, gerando desgaste onde uma simples conversa resolveria boa parte do problema. E de repente, nas palavras da escritora Fabíola Simões, num dia qualquer, acordamos e percebemos que já podemos lidar com aquilo que julgávamos maior que nós mesmos. Não foram os abismos que diminuíram, mas nós que crescemos.

E crescer é seguir em frente.

Artigo 5