Flávia Tironi – Autora de: Antes dela partir

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Antes dela partir

Flávia Tironi é Designer de Moda, formada pelo Centro Universitário UNA de Minas Gerais, Escritora e Colunista aqui no RAS. É autora do livro Antes dela partir, seu primeiro romance, publicado em formato e-book na Amazon. Outras experiências significativas no meio literário incluem dois contos infantojuvenis e fanfics (histórias que os fãs escrevem) inspiradas em livros e séries. Seu próximo livro, ainda sem título, já está sendo planejado e trata-se de um romance contemporâneo ambientado em Galway, na Irlanda.

Artigo 1

A importância da literatura na educação infantil

Falar sobre literatura infantil dentro da temática educação é um pano pra manga, saia, decote e o vestido todo certamente. Mas de textos acadêmicos a um bate papo informal, ninguém questiona o seguinte mérito: a importância da mesma para o desenvolvimento das crianças.

Contudo, para se entender tamanha importância é preciso viajar no tempo. Mas calma, este não é um convite a uma daquelas pedantes aulas de história, regada a bocejos e cochilos, não. Essa viagem consiste em buscar a raiz desse hábito tão antigo, enfatizando sua relevância para a formação do indivíduo.

Literatura infantil
(Imagem: Pixabay)

Hábito ancestral

Lá atrás, na época de nossos ancestrais e das reuniões em torno da fogueira, as narrativas eram a forma do homem se comunicar e também firmar suas primeiras noções de pensamento e existência, inspirados por lendas, valores e feitos heróicos.

Posteriormente, essa prática levaria à escrita e com ela à leitura.
Para o escritor João Novais (61), autor do livro infantil O trem das coisas, dentre outros, tudo começa com a presença da narrativa como instrumento para lidar com os aspectos práticos e também com o imaginário humano dando substância de valor à criança e posteriormente, não só instrumentalizando como também fundando nela a percepção de
como se dá a condição humana mediada pelos valores culturais.

Logo, a importância da literatura como um todo não se resume apenas ao hábito de ler em si, mas, ela se ramifica em vários âmbitos relacionados à construção do indivíduo.

Ler civiliza

Após breve pesquisa sobre a importância da leitura para a formação infantil, é possível perceber que a palavra que mais se destaca é desenvolvimento. Isso se deve ao fato de que desenvolver-se resulta na ação de estar preparado para o próximo passo ou estar preparado para um passo superior em relação ao da fase atual.

Martha Medeiros disse que milhares de pessoas acreditam que ler é difícil, ler é chato, ler dá sono, e com isso atrasam seu desenvolvimento, atrofiam suas ideias, dão de comer a seus preconceitos, sem imaginar o quanto a leitura os libertaria dessa vida estreita.
Em outras palavras, desenvolvimento quer dizer também evolução.

Casa ou Escola?

Mas quando e como o incentivo deve surgir? Seria essa ainda uma responsabilidade exclusiva aos professores ou é preciso que os pais e responsáveis também se comprometam ao processo?
Richard Bamberger disse que o desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um processo constante, que principia no lar, aperfeiçoa-se sistematicamente na escola e continua pela vida afora.

Já a estudante de Pedagogia da Universidade Estadual de Minas Gerais, Jéssica Barcellos (26), afirma que ao ter contato com a literatura desde pequena, a criança pode desenvolver habilidades muito importantes para sua vida escolar, como por exemplo, a concentração, atenção, coordenação, função social da escrita e das ilustrações, conhecer novas palavras e expressões, pois muitos livros infantis trazem em suas histórias temas importantes para serem trabalhados com as crianças de forma leve e com um vocabulário adaptado para elas, e isso ajuda bastante colaborando com a mediação entre os adultos e as crianças no processo de educação, principalmente em sala de aula, e também auxilia a criança a desenvolver a capacidade de pensar, analisar, escolher e comparar.

A partir dessas afirmativas podemos entender que é favorável que o incentivo à leitura parta de casa, do berço, mas que a escola também precisa incitar esse hábito e fazê-lo de modo que a criança sinta-se convidada e não obrigada a ele. Por mais que muitos tiveram seus ancestrais como os primeiros incentivadores através das histórias que
contavam e que perpetuaram através das gerações, esta ainda não é uma realidade coletiva.

No mundo dos pequenos

Para a educadora Vânia Nogueira (52) o ato de contar e ouvir histórias amplia a imaginação, ajuda a criança na organização da fala (coerência e realidade), à memorização (através das narrativas de fatos diversos), na interação e criatividade, contribuindo para o processo de desenvolvimento de aprendizagem. Ela acrescenta ainda que a história passa a ser criada através de uma fala e de um toque pessoal.

Ziraldo disse que o importante é motivar a criança para leitura, para a aventura de ler. Por essas questões a escrita para as crianças é tão importante, porque não é possível instigar o imaginário usando de recursos que elas ainda não compreendem. É preciso sensatez ao escrever para que o mundo delas seja alcançado e não o contrário. E para tanto deve-se levar em conta dois fatores principais: o de falar como elas falam e estar
ciente de toda história sobre a narrativa brevemente apresentada neste artigo.

De volta às origens

Concluindo, a literatura como um todo, e especialmente no âmbito infantil, tem funções que vão muito além de estudos e opiniões formais. Ela não só educa, como ajuda a edificar e a preparar o indivíduo para a grande jornada da vida. Ela os torna mais criativos, críticos de si e do mundo e principalmente, os torna mais humanos acerca dos eventos sociais e globais ao qual são submetidos. Afinal, no corrente cenário, quando a maioria das pessoas lida com dias de isolamento, sem acesso ao aprendizado acadêmico,
é interessante refletir no quanto o ato de narrar histórias para as crianças ganhou mais força e também mais adeptos.

Artigo 2 – A Relevância das aspirações