O quanto a questão sanitária influencia nossa saúde?

Artigo 3

Jojo Dieira– Estudante de Odontologia da Faculdade de Macapá- FAMA – Autora de Contos, Crônicas. Resenhista e Hand Lettering – Macapá – AP – Email: jojodieira@gmail.com

Introdução

A reforma sanitária trouxe mudanças sociais e no sistema público de saúde na década de 70. Em um cenário popular e sanitário descrito por Olavo Bilac na sua crônica As picaretas regeneradoras na revista Kósmos como “a cidade colonial, imunda, retrógrada, emperrada nas suas velhas tradições, estava soluçando no soluçar daqueles apodrecidos materiais que desabavam”.

Nesse instante, a realidade descrita pelo escritor possui novos ares de caráter territorial mais amplo, todavia o desejo social permanece. Mesmo adquirindo outras dimensões sociais, o desespero por medidas preventivas na luta de moléstias que assolam o país revelam a busca de novas perspectivas que norteiem e mudem o estado atual do Brasil.

Partes da história da luta pela vida

As configurações no sistema de saúde vigente, propostas pela conhecida Reforma Sanitária iniciaram mudanças na maneira em que era tratada a saúde no Brasil. Principalmente, com a presença de Oswaldo Cruz na Diretoria Geral de Saúde Pública em 1903, que promoveu alterações significativas nos serviços de saúde na conhecida batalha das três doenças (febre amarela, peste bubônica e varíola) a fim de evitar a disseminação dos males prevalentes no Governo de Rodrigues Alves. Houveram brigadas de mata-mosquitos, caças ratos, isolamentos de doentes e a tentativa de vacinação obrigatória a qual gerou manifestações populares titulada nos livros de história como a Revolta da Vacina.

Essas medidas tomadas para impedir o contágio foram capaz de mudar não apenas o sistema sanitário como o entendimento sobre saúde, higiene e bem estar da população. Cartuns, caricaturas e matérias nos jornais da figura do sanitarista Oswaldo Cruz demonstraram a visão do povo e os impactos de cada ação. A vivência do período de proliferação das três moléstias possibilitou explorar a temática sanitária deixada sob desprezo em meio a rotina complicada.

Quem diria que no século seguinte, os anseios populares acerca da saúde pública retornariam ao enfoque nas manifestações de 2013, onde alguns manifestantes recorreriam a melhoria no gerenciamento da verba pública nos serviços prestados à população e também a democratização da mídia. Os avanços seguintes não causaram o melhoramento clamado, mesmo assim despertou a sociedade brasileira para as suas mazelas.

A insatisfação sempre esteve manifesta de forma tímida ou em destaque devido aos alarmes dos agravos no sistema de saúde. Logo, defender e propagar a mensagem de acesso igualitário, é uma missão desafiadora, porém essencial para o futuro da nação.

O poder do reivindicar

A aquisição de novas práticas de higiene na rotina demonstra a a formação de uma consciência social a respeito manutenção e prevenção da saúde não somente individual mas também coletiva. Pois é, o uso do “nós” nos slogans não é à toa, une pessoas reais por trás de sujeitos gramáticas. Dessa maneira, ao aderir as medidas preventivas, o cidadão contribui para a defesa da vida.

Os impactos desse período transcendem os eixos da escala essencial do país, visto que o principal componente social é atingido: o ser humano. Há o desenvolvimento de fronteiras sociais imensuráveis traçando parâmetros no momento inviáveis de observação.

A saúde é colocada em pauta explorando as falências desse sistema presentes e agravadas com o período de fragilidade social. Os debates não se limitam ao ambiente acadêmico e profissional porque a população brasileira também possui opiniões que merecem ser ouvidas.

Em crise o sistema, vulnerável está a sociedade. Tudo está conectado como em um cadeia ecológica, o ciclo é contínuo.

A análise conjuntural do sistema vigente tornou-se preocupação social. Assim, recorrer aos direitos a saúde garantidos pelo art. 198 da Constituição Federal de 1988, de acordo com os princípios e as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), condiz também ao principal envolvido o cidadão. A participação comunitária é bem-vinda, sim a possibilidade de se excluir do todo não é viável nesse caso.

Os destroços irreparáveis a fim de manter a integridade de uma história que foi parcialmente queimada junto com os documentos do Museu Nacional do Rio de Janeiro em 2018. As coleções paleontológicas e antropológicas perdidas não podem ser reconstruídas assim como as cinzas e os corpos dentro de caixão fechado de brasileiros que foram acometidos pela doença, sendo expressões do descaso nacional com os bens mais precioso: a vida e história. São os fragmentos das perdas nacionais irreparáveis, entretanto indicadores da necessidade de transformações sociais.

A atuação do cidadão

Os mecanismos de reinvindicações revelam a mudanças dessa nova era. Oras, o período e os aparatos a disposição viabilizam uma expressão singular de protestos.

Frutos de seu período histórico os indivíduos não poderiam optar por outra maneira de se comunicar. Veja, usam os seus próprios recursos, através das mensagens de textos e o conteúdo midiático produzido apresentam discursos de brasileiros de diferentes classes sociais. Já as hashtags, emojis e filtros expressam a união popular sendo as novas frases de efeito prevalentes em manifestações passadas. Enquanto as manchetes de jornais não se limitam a impressão, uma vez que estão presentes nos mais diversificados modelos de smartphone. Há um movimento em um momento de estabilidade e isolamento existente mesmo que pareça silencioso e afastado, o fluxo ocorre basta conectar.

A telemedicina tem proporcionado um valoroso contato com a população ajudando na saúde geral de pacientes cibernéticos. Por outro lado, a utilização das plantas medicinais na cura de enfermidades presentes desde o Brasil colonial por meio de curandeiros, nesse período conta com maior análise laboratorial e a partilha da sabedoria popular. Apesar de serem fundamentais no tratamento das manifestações clínicas de doenças, ainda precisam ser mais exploradas haja a vista os benefícios presentes na rica biodiversidade nacional. Tendo em vista o momento de reflexão social e de autoconhecimento vivenciado, é possível desenvolver um olhar coletivo existente há gerações. A vontade perdura, não pode mais ser mantida em segundo plano, ela precisa acontecer. Portanto, assumir os novos cuidados propostos em proteção da vida, é contribuir para as conquistas anteriores. As invenções presentes assim como as perspectivas futuras não sejam apagadas e ignoradas da memória popular.

Artigo 4: Ressignificar o mudar