Ressignificar o mudar

Artigo 4

Jojo Dieira– Estudante de Odontologia da Faculdade de Macapá- FAMA – Autora de Contos, Crônicas. Resenhista e Hand Lettering – Macapá – AP – Email: jojodieira@gmail.com

É comum, chegada a hora da mudança, darmos um passo para atrás com
medo do que possa acontecer. Até mesmo porque é o desconhecido batendo
na porta. Não podemos bobear!

Okay! Okay! Mas o que fazer com esse sentimento que nos apavora
nessa grande chance de virada?

Trimm…. É a mudança!

Enfrentar mudanças não é uma tarefa muito fácil, não para o organismo
humano. Coração acelerado, respiração ofegante, pupilas dilatadas. Efeitos da adrenalina? Alguns são. Todavia, nesse caso, as reações descritas são
referentes ao estresse que antecede o temido há de vir. 
O corpo se prepara em resposta a uma grande notícia a fim de
potencializar as nossas capacidades nesse campo de batalha gostoso
conhecido por vida. Esse desencadeia uma série de reações, quase em estado de fuga, em momentos de alerta. Ponto de virada. Precisamos solucionar, mas optamos pelo fugir – é menos arriscado – quando a resposta precisa ser dita. 

Sofremos, por assim dizer, intervenções não apenas interiores mas
também exteriores. Interligados as espécies do ambiente terreno sentimos as energias do mundo. O ar parece mais denso em instantes de escolha, não é mesmo? Ou o motivo está na preocupação que nos atenta ao o que é natural? 

Mudar é provocativo! Pode não acontecer da forma como desejamos.
Morada da graça do existir. Carregado de surpresas e transformações
existenciais como o futuro diário. Uma verdadeira novidade: é a metamorfose.

Tantos acontecimentos maravilhosos acompanham o inesperado. 
Manter não. Apenas a significação da palavra já é mais segura.
Tranquilo é estar no costume, preso em uma rotina que já se conhece de cor. Sem surpresas. Nada de nervosismo. Visto que, não há babados para
conversar. Somente o de sempre. Em um tédio permanente. 

Em comparação a constância, será que é tão ruim assim mudar?
Provavelmente não. O que assusta é “bahhh” acompanhado de uma
sacudidela do viver. Como um “acorda meninaaa”, entretanto não é da Ana Maria. E sim, da chamada vida. Essa não é possível ignorar. Tem que atender, não tem jeito?

Nem todos são assim, é bem verdade. Contudo, o friozinho na barriga
sempre está por aí quando tem uma decisão a ser tomada. Não há problema
em confessar para si mesmo. Quantas escolhas de Sophia você já fez na
vida? Quantas vezes teve que voltar atrás por não parecer certo? Ou aguardou até o último segundo para a resolução?

Ressignificando a mudança

Somos espécies de senhoras – ou melhor, senhoritas, tá querida – da
postergação. Posto que o nervosismo nos é conveniente nesses momentos de precedidos de uma enorme carga do eu em euforia. 
Tudo bem, respira fundo e pensa que a solução loguinho vem. A
calmaria costuma ser amiga da razão. Sem pânico. Sufocar a realidade não é característica oportuna de seres donos da própria vida. 
Então, porque nos nutrimos da sensação estresse? Essa causa rugas,
baby! Apesar dessas formações naturais serem lembranças de nossas vivência cotidiana. Podemos evitar, e se podemos…. Assim faremos, Basta acreditar para o acontecer presenciar. 

Olhar a vida sob diferentes perspectivas na possibilidade de acender –
e reacender também  as motivações. Viver é desfrutar os sabores das
experiências. Nem todas têm gosto de tutti-frutti, alguns sabores podem parecer cera de ouvido como os feijõezinhos do universo criado por J.K. Rowling. A vida possui todos os sabores. Não perca a chance de se deliciar.

Mudança na escuta

Uma vez disse Clarice Lispector em seu texto Mudança: ” o mais
importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda! “. É isso!

Eu sei. Você sabe. Nós sabemos. O “schhh” é instintivo quando se trata
da Daquela que não pode ser nomeada. Sim, a mudança. Nessas horas não
precisamos dar nomes horrendos aos temores e nem mesmo colocar em caixa alta algo que convém pronunciar em sussurros. Oras, é da vida que estamos falando! Um assunto de estado. Sai para lá, abelhudos! 
Porque mudar é como A hora da estrela em nossa vida. Um
prenúncio. Macabéa também não estava preparada para o estrelato. Mesmo assim, não hesitou quando esse chegou. Somos estrelas. O palco do viver é destinado a improvisação. Que maravilha!

Veja bem, que pesar seria ser o mesmo a vida inteira, não é? Está hora
de ressignificar. 

Toc ! Toc! Você já sabe quem é a bendita. E aí? Abrirá a porta para as
boas novas?