Jojô Dieira – Autora de: V.A.P

Colunista fixa do RAS. Divide bancada no Podcast nos assuntos: aceitação das imperfeições, amor próprio, ser nerd e mulher, timidez, amor pela escrita e pela literatura, dentre outros.

Vulnerável, autêntica e perspicaz V.A.P

Joana Dias é uma estudante de Odontologia da Faculdade de Macapá (FAMA), resenhista, escritora e criadora de conteúdo digital. Ela nasceu na região norte do Brasil em Macapá no estado do Amapá. Desenvolve atividades referentes a literatura e a caligrafia nas mídias sociais como no Amino Leitores BR desde 2017 e no Instagram desde o segundo semestre de 2019, onde escreve resenhas, posta as suas produções de lettering e cria conteúdos relacionados aos universos literários. Além disso, realizou a auto publicação de seu primeiro livro V.A.P. – Vulnerável. Autêntica. Perspicaz em uma plataforma digital chamada Wattpad no ano de 2019 até o início de 2020. Disposta a explorar as minúcias do cotidiano e despertar a alegria de ser através das palavras, Joana desvenda os diferentes gêneros literários tendo grande afinidade a criação de contos e de crônicas. Como uma jovem fascinada pela vida e iniciante na escrita busca o constante aprendizado a fim de contribuir para literatura nacional.

E-mail: jojodieira@gmail.com
Instagram: @autorajojodieira
User do Wattpad: @JojoDieira

Artigo 1

Como ser mulher em um mundo onde a sua existência é subestimada?

Quantas vezes mulheres precisaram se esconder por detrás do sufixo designador do gênero masculino (o) para alcançar o seu desejo?

Quem nunca viveu uma situação onde as suas habilidades tenham sido colocadas em posição de julgamento apenas pelo fato de ser mulher?

Durante os períodos históricos a voz feminina fora reprimida, por meio de sussurros capazes de percorrer distâncias incalculáveis. Esses seres adquiram certa expressão social. Mesmo com tantas restrições, a mulher elevou o seu tom de voz sob mordaças sociais ocultas, contudo sufocantes.

Provaram através de ações e palavras que não há o instante exato para tornar real o desejo de ser igual a heroína de um querido romance lido, uma atitude observada pela personagem Conceição de “O quinze de Rachel de Queiroz”. Uma vez que, nunca é tarde para ser a heroína de sua própria vida.

V.A.P Vulnerável autêntica e Perspicaz

Provocações Femininas na história

A existência de um certo estigma negativo a respeito das capacidades intelectuais e manuais da mulher fora negada e questionada. Principalmente, após a ação de mulheres no âmbito social ao longo da história. Na Grécia Antiga, Agnodice confrontou antigas crenças sobre a atuação feminina ao fazer uso da caracterização masculina apenas para que pudesse ter

acesso a informações referentes a anatomia e fisiologia humana, conquistando a tão sonhada formação em medicina. O seu sucesso como “médico” e a representação entre público feminino possibilitou a autorização de mulheres atenienses nessa área após a descoberta do gênero dessa profissional. É isso aí, garota.

Na idade média, a restrição da participação feminina em altos cargos da Igreja sob a influência de discursos eclesiásticos corroborou para a prevalência de desigualdade entre os gêneros em alguns lugares no mundo. No entanto, contrapondo essa inferioridade e o patriarcado da época, Matilde de Conassa comandou expedições, formulou estratégias e lutou por sua manutenção no poder sendo uma expressão de determinação e coragem. Sim, ela foi uma girl power antes mesmo do termo existir.

Na idade moderna, Olympe de Gourges ao apresentar a sua opinião por meio de peças e romances a respeito dos direitos humanos, refletindo a verdade por trás dos lemas da revolução francesa “liberdade, igualdade e fraternidade”. Dessa forma, fora instigada por esse desejo interno assim como por essa questão social, ao redigir a Declaração dos direitos da mulher e da cidadã em 1791. Embora, o seu desfecho nas terras de Paris não tenha sido o dos melhores, a sua atitude fora capaz de deixar o seu legado e despertar mudanças.

Na idade contemporânea, Malala Yousafzai como crítica ao regime talibã recorreu a escrita em um blog sob um pseudônimo pela necessidade de expressar a sua insatisfação e recorrer ao acesso à educação das mulheres para o site da BBC. Tal pronunciamento, gerou repercussões resultando em um ataque a uma van escolar e uma bala atingindo o olho esquerdo dessa ativista. Ser uma menina inteligente não é uma tarefa, caneta e papel também trazem grandes responsabilidades. Desculpa aí, tio

Ao relembrar esses acontecimentos históricos, surge a dúvida: seria intromissão e/ou insensatez ansiar por direito a voz em seu lugar de nascimento?

Como citado no livro Extraordinárias: Mulheres que revolucionaram o Brasil escrito por Duda Porto de Souza e Aryane Cararo “parece que temos de provar tudo a todos a todo momento, embora a gente saiba muito bem que ninguém nunca deveria ter de provar nada para garantir direitos iguais e respeito”.

Bom, em meio ao caos, essas mulheres tiveram que recorrer a uma astúcia escondida em seu âmago e a uma sagacidade criativa para terem a liberdade roubadas antes da existência.

Os burburinhos que surgiram durante e após a intervenção social desses ícones femininos foram estrondosos. As atitudes corajosas dessas heroínas promoveram o rompimento de paradigmas. Elas mudaram a si mesma e lutaram por suas verdades sociais em decorrência, disso, o mundo mudou com elas.

Ao referir-se a notoriedade da mulher na sociedade, é possível pensar que buscaram ser mulheres apesar de todas as adversidades que pertencem a esse sexo possuía e possui. Mesmo sob disfarces do gênero oposto, nunca deixaram de colocar a mente e alma em prol desse vínculo fraterno.

As inspirações são importantes para esperançar o coração de outros indivíduos e abrir caminhos em lugares nunca antes percorridos. Aos poucos, mulheres precisaram conquistar espaços que lhe foram negados em contraste a mesquinhez da manutenção dos costumes vigentes.

Nesse momento, a simples possibilidade das mulheres falarem em espaços onde nunca se imaginou que poderiam ter direito a fala é resultado de suscetivas vitórias e derrotas ao longo dos século. Porém, a batalha iniciada não fora finalizada como ressaltado por Martha Breen e Jenny Jordahl em Mulheres na luta: 150 anos em busca de liberdade igualdade e sororidade “a nossa luta continua”.

Observações sobre invisibilidade feminina

Há quase uma necessidade intrínseca de expressar o seu valor social a esses seres a quem foram negados o direito de fala antes mesmo de tê-lo. Então, as mulheres recorreram ao grito para que pudessem ser finalmente ouvidas. Querido, compreenda, ninguém pode calar quem nasceu para estar em destaque, okay?

No entanto, a expressividade desse gênero é muitas vezes silenciada em um mundo de conceitos e tabus negligenciados. Ainda repercutidos, infelizmente havendo recorrentes transgressões populares nas diferentes esferas sociais.

Através da limitação de possibilidades e até mesmo ocultando feitos produzidos por essas mentes geniosas, as mulheres se mantiveram no anonimato e não receberam reconhecimento pelo seus trabalhos.

Algumas histórias vem sido reapresentadas ao cenário atual como no filme Hidden Figures mostrando a importância das mulheres na Nasa informações antes mantidas em segredos. É válido pontuar que não somente no ambiente profissional como no relacionamento conjugal, dentre as inúmeras produções ficcionais de caráter biográfico, pode se citar a história da escritora Colette a qual escreve sob pressão e sob tortura a obra prima do esposo sem receber atribuição autoral.

A camuflagem é confrontada quando essas vivências perdidas possuem destaque em pesquisas atribuídas ao tema, em datas comemorativas e em promoção de conteúdo relacionado. Havendo nesse quesito, a solidarizarão de objetivos individuais no aspecto coletivo.

Mulheres arriscaram-se em ir contra as convenções sociais com o intuito de atingir áreas antes inviabilizadas. Como toda a revolução, os vestígios não se limitam apenas a glória, mas também houveram sofrimentos.

Logo, pretende-se que os feitos que começaram como exceção transponham as suas limitações iniciais para que mais mulheres tenham a oportunidade de ascender socialmente.

Artigo 2 : O hobby e saúde mental

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